Colocar um implante dentário devolve seu sorriso e autoestima, mas, como qualquer outro tratamento de saúde, ele exige muita atenção após a sua realização para prolongar sua vida útil.
Desta forma, ao perceber qualquer sinal de movimentação do dente implantado, encare como um sinal de alerta. A sensação de que a prótese está mole pode indicar desde uma simples necessidade de aperto de um parafuso até problemas mais sérios com a integração do pino de titânio ao osso.
Esse fator é muito importante, pois a falta de diagnóstico rápido pode comprometer o sucesso do procedimento, vindo inclusive a causar complicações futuras — que, em últimas instâncias, podem levar à perda do implante.
Vamos explicar a seguir o que pode causar a movimentação e o que fazer nesses casos.
Meu implante está mole! O que pode ser?
A primeira coisa a se fazer em casos como estes é consultar imediatamente o seu dentista. Apenas o profissional pode diagnosticar se o que está mole é apenas a coroa (o dente artificial) ou o implante (o pino fixado no osso).
Problemas com a estabilidade podem ocorrer logo após a cirurgia ou mesmo anos após a colocação do dente. Os motivos são diversos, porém a maioria está relacionada com:
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Má qualidade óssea do paciente;
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Técnica cirúrgica (como o aquecimento excessivo do osso ou falta de estabilidade inicial);
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Micro movimentação do implante durante a cicatrização.
Essa última ocorre logo após a colocação do implante dental, quando o paciente mastiga alimentos duros sobre a área operada, levando o pino a se movimentar levemente dentro da cavidade bucal e impedindo a correta cicatrização óssea.
Situações que deixam o implante ou a prótese mole
É fundamental entender a diferença entre o afrouxamento das peças protéticas e a perda do implante em si. Entenda as situações:
Afrouxamento do pilar ou parafuso protético
Muitas vezes, a sensação de “dente mole” não vem do implante no osso, mas sim do afrouxamento do parafuso que conecta a coroa (dente) ao implante. Isso pode ocorrer pela mastigação constante ou bruxismo.
Correção: Diferente do que muitos pensam, isso não significa que você perdeu o implante. Geralmente, o dentista apenas precisa reapertar o parafuso ou trocá-lo, sem necessidade de nova cirurgia ou troca de local do implante.
Fratura do pilar ou do parafuso
Essa é uma situação mais crítica onde o componente que une o dente ao implante se quebra. Em casos mais graves, pode dificultar a remoção do fragmento de parafuso fraturado de dentro do implante, mas ainda assim, muitas vezes o implante (pino) permanece intacto.
Implante com mobilidade (Falha na Osseointegração)
Isso acontece quando o pino de titânio não se integra corretamente ao osso (não ocorre a osseointegração). Pode acontecer logo após a cirurgia ou tardiamente. Se o pino que está dentro do osso se move, infelizmente o implante foi perdido e precisará ser removido.
Geralmente, a principal causa de mobilidade tardia são forças de mordida excessivas e/ou má higiene bucal, fatores que levam à peri-implantite (inflamação ao redor do implante).
Fatores de risco que prejudicam os implantes
A taxa de sucesso do tratamento com implante dentário é muito alta, ficando em torno de 95% a 98%. No entanto, existem fatores de risco que podem prejudicar os resultados:
Falta de integração óssea
Na maioria dos casos onde o implante (e não apenas o dente) fica frouxo, o problema reside na má integração da estrutura óssea com o titânio. Isso ocorre por descuidos pós-operatórios, baixa qualidade óssea ou técnica inadequada. Quando o pino perde o contato com o osso, é necessário removê-lo, esperar a cicatrização e avaliar a possibilidade de uma nova cirurgia.
Doenças metabólicas
Condições como diabetes não controlada e osteoporose exigem atenção redobrada.
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Diabetes: Afeta a circulação sanguínea e a capacidade de cicatrização, além de facilitar processos inflamatórios, o que pode comprometer a fixação do implante se a glicemia não estiver controlada.
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Osteoporose: Embora não impeça o implante, a qualidade óssea inferior pode exigir um tempo maior de cicatrização e cuidados específicos para garantir a fixação.
Tabagismo
Fumantes podem fazer implante dentário, mas o risco de falha é maior. O tabaco interfere na circulação sanguínea periférica (vasoconstrição), prejudicando a nutrição óssea e a cicatrização, além de aumentar as chances de infecção e peri-implantite. Recomenda-se parar de fumar antes e durante o período de cicatrização.
Má higienização e Peri-implantite
A peri-implantite é uma inflamação causada por bactérias e tártaro ao redor do implante, similar à periodontite nos dentes naturais. A falta de higiene correta leva à perda óssea ao redor do pino, o que resulta em um implante solto. Manter a higiene rigorosa é a chave para a longevidade do tratamento.
A importância do pós-operatório
Os cuidados logo após a cirurgia são fundamentais para evitar que o implante não se fixe corretamente. Nos primeiros dias, o foco é evitar qualquer sobrecarga na área operada:
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Faça adequações na dieta, optando por alimentos frios/mornos e de textura pastosa ou macia;
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Tenha cuidado na hora de escovar os dentes para não traumatizar a ferida cirúrgica, mas mantenha a boca limpa;
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Evite deitar sobre o lado do implante;
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Suspenda atividades físicas intensas e esportes de contato nos dias iniciais;
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Tome corretamente os antibióticos e anti-inflamatórios prescritos pelo seu implantodontista.
Cuidado é palavra de ordem!
O sucesso de um implante dentário depende da qualidade do material, da técnica do cirurgião, mas principalmente da colaboração do paciente.
Seguir todas as recomendações profissionais, manter uma higiene bucal impecável e retornar ao dentista regularmente para apertos preventivos e limpezas (manutenção) é o segredo. Com os cuidados corretos, seu implante pode durar a vida toda!
